Estado do Rio tem ao menos três lixões clandestinos
publicado em 02/06/2014

O estado do Rio de Janeiro tem um compromisso até o dia dois de agosto: fechar todos os lixões e vazadouros clandestinos do município. Os depósitos irregulares deverão ser encerrados e dar lugar a aterros. É o que determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigência desde 2010. Segundo o governador Luiz Fernando Pezão, o compromisso será cumprido.

O problema é que, para alcançar o prometido, o governo vai ter que combater inúmeros lixões clandestinos que se formaram em diferentes pontos do estado, mesmo com a criação do Aterro Sanitário de Seropédica e do Aterro de São Fidélis, que vai receber resíduos sólidos de oito cidades do Norte e Noroeste do estado.

Após o fechamento do Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em junho de 2012, a situação piorou. A nossa reportagem comprovou a existência de pelo menos três grandes lixões irregulares no Rio. Mas o número pode ser ainda maior, pois não há um monitoramento oficial dos depósitos, segundo a própria Secretaria Estadual do Ambiente.

Segundo o vice-presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj, deputado Carlos Minc, os lixões clandestinos ressurgem assim que a fiscalização vai embora, o que dificulta o alcance da meta. Ele afirmou ainda que esses depósitos são usados por estabelecimentos orientados a levar o lixo para aterros sanitários. No entanto, há um mercado clandestino onde motoristas de caminhões de lixo desviam o veículo do trajeto original, para não pagar a taxa de uso do aterro.

Um dos depósitos de lixo clandestino fica a poucos metros do antigo Aterro Sanitário de Gramacho e nas proximidades do Aeroporto Internacional Tom Jobim. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, a presença de urubus e outras aves, atraídas pelo lixo, causa transtornos aos voos que saem do aeroporto. A assessoria do Galeão informou que faz uso de aves de rapina para afugentar e capturar os urubus, o que vem diminuindo consideravelmente o número de bichos nos arredores do local.

Um lixão funcionava em Itaóca, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, mas foi fechado em fevereiro de 2012. Hoje, próximo ao local, existe um vazadouro clandestino que está avançando sobre áreas de manguezais. O biólogo Mário Moscatelli, que sobrevoou as regiões de Gramacho e Itaóca para o projeto Olho Verde, criticou a falta de fiscalização e disse que há todo tipo de lixo em contato direto com o solo e os rios.

Além de Gramacho e Itaóca, a baixada de Jacarepaguá também sofre com a existência de lixões clandestinos. Toneladas de lixo estão sendo espalhadas por esses locais e a mata está devastada.

Segundo o deputado Carlos Minc, cada estabelecimento deveria exigir um comprovante de que o lixo foi encaminhado para um aterro sanitário. Um projeto de lei, a ser votado nesta quinta-feira na Alerj, regulamenta a instalação em cada caminhão de lixo de um chip para monitorar o destino dos detritos.

De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente, o fechamento de lixões é feito a partir de denúncias recebidas pelo 1746, a ouvidoria da prefeitura, e pelo disque-denúncia ambiental. A partir das informações, as equipes da secretaria chegam aos depósitos. De maio de 2012 até maio deste ano, a Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais do Rio informou que fechou 70 lixões clandestinos em todo o estado.

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

(61) 3703-4610
Endereço:
SEPN 506, Bloco D - Ed. Sagitarius Sala 124 CEP: 70740-504 Brasília
Desenvolvido por Nova Mídia Brasília