Jovens transformam beco abandonado em horta urbana vertical
publicado em 07/12/2015 - 15:35

Com garrafas pet em mãos, crianças e adolescentes da Estrutural constroem pequenos vasos que comportarão flores e hortaliças a serem instalados a partir deste sábado (5) nas paredes do Beco da Esperança — entre os Conjuntos 5 e 3 da Quadra 3 da região administrativa. A ação, intitulada Horta no Beco, é liderada por jovens entusiastas da mudança da realidade do local e conta com o apoio do governo e da comunidade, que abraçaram a ideia de ter uma passagem, limpa, segura e, agora, cheia de verde, em uma horta vertical.

 

No lado de fora da sede do Coletivo da Cidade — associação social sem fins lucrativos conveniada à Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos —, um grupo faz furos para drenar a água pelas garrafas, enche-as com brita, acomoda o tecido que servirá como filtro e prepara a terra para receber as plantas. Dentro, em uma grande sala, outro decora os futuros vasos com fitas coloridas, desenhos e pinturas. "Essa é minha parte preferida", declara a estudante do 6º ano Bruna Pereira, de 11 anos, uma das 200 pessoas atendidas diariamente pela entidade.

 

Antes de ser batizado de Beco da Esperança, o lugar era ponto de usuários de drogas, transbordo de lixo e fonte de preocupação para moradores vizinhos. Em setembro, foi revitalizado durante a Virada do Cerrado, programa continuado de educação ambiental e mobilização social da Secretaria do Meio Ambiente que começou naquele mês. A iniciativa partiu do Coletivo da Cidade e do projeto Observatório da Criança e do Adolescente e do Grupo de Trabalho pela Agricultura Urbana do DF, da entidade social Movimento Nossa Brasília.

 

"Antes, ninguém gostava de passar aqui, havia bichos mortos, muito lixo e um clima de insegurança", conta a educadora do Coletivo da Cidade Dyarley Viana. Ela afirma que o maior fluxo de transeuntes é de mulheres, crianças e adolescentes atendidos em espaços sociais, como escolas e a própria associação.

 

Na época, foram plantadas 25 mudas doadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) retirou o lixo e servidores da Administração Regional da Estrutural participaram do mutirão. Poucas semanas depois, o espaço entre muros continuou limpo, mas todas as plantas foram levadas. "As crianças ficaram arrasadas", lembra Dyarley.

 

Força-tarefa


O esforço coletivo para revitalizar o beco terá novamente o apoio dos parceiros do primeiro mutirão. A Novacap doou 6 metros cúbicos de material orgânico com terra para a adubação, 200 mudas das chamadas ervas perenes, como zínias e tagetes coloridas, que têm alta durabilidade. Durante a semana, a Gerência de Educação Ambiental do SLU passou de porta em porta para conscientizar os vizinhos da importância de manter a passagem limpa e livre de entulhos. No sábado (5), técnicos da autarquia ajudarão no plantio da horta vertical e na mobilização da comunidade para participar da iniciativa.

 

A estudante Natália dos Santos, de 16 anos, acompanhou todo o processo, desde maio, e garante que o lugar está irreconhecível. "Antes tínhamos medo de passar por lá, mas agora tem chão, pinturas, só faltam a horta e a iluminação", pontua a moradora do Setor de Chácaras Santa Luzia. A concretagem ficou a cargo da Novacap, que investiu R$ 3,5 mil em pavimentação.

 

Na terça-feira (1º), o administrador regional da Estrutural, Evanildo Macedo, pediu à Companhia Energética de Brasília (CEB) orçamento para instalar duas luminárias. Segundo Macedo, desde que o beco passou a ser limpo com a ajuda dos 50 garis que fazem a varredura cotidiana nas redondezas, os moradores têm respeitado mais a área. Por isso, acredita o administrador, é preciso estimular e apoiar esse tipo de ação.

 

Planos futuros
Para 2016, o objetivo é transformar o local em um ponto de cultura. "Já fizemos oficinas de grafite, e a ideia é fazer outras e dar vida ao beco, ocupá-lo com arte", adianta Dyarley, do Coletivo da Cidade. Outro projeto da associação social é criar um grupo de agricultura da Estrutural. "Queremos incentivar a cultura do cultivo consciente na comunidade."

 

 

 

Fonte: Agência Brasília

Assessoria de Comunicação ABES-DF

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